terça-feira, 10 de março de 2009

Capítulo IV - A Reação de Jeitosinha


O mundo desabou diante dos olhos de Jeitosinha. Tudo o que ela pensava ser, todos os seus sonhos de menina e a possibilidade de um orgasmo múltiplo eram subitamente arrancados para sempre de sua vida! E o que ela diria a Bruno, seu amado, um rapaz de boa índole que trabalhava como caixa no Banco do Brasil?
- Nunca vou te perdoar! Porque, mamãe? Porque você fez isso comigo? - saltava de seus olhos cor de esmeralda a revolta, como ondas de fogo.
- Calma, querida! Ainda posso desfazer meu erro! A gente conta tudo pro seu pai, eu compro pra você umas cuecas, você corta este cabelo, aprende a cuspir e coçar o saco... Enfim, você recomeça sua vida!
- Mas você não entende, mãe? Eu me sinto mulher!!!
- Tá vendo como tudo tem um lado positivo? Você é um traveco e mamãe aceita!
As justificativas de Marilena não estavam ajudando muito. Desesperada, Jeitosinha saiu de casa e vagou durante horas pelas ruas da cidade. Acabou concluindo que o melhor a fazer era procurar Bruno e dividir com ele sua angústia. "Se ele realmente me ama, vai me aceitar como eu sou," pensou.
O rapaz surpreendeu-se ao abrir a porta e encontrar sua amada. Pela rigidez moral de sua criação, Jeitosinha jamais iria até o apartamento de um rapaz solteiro.
- Você aqui, querida?
A moça entrou muda e sentou-se no sofá. Bruno toca seu rosto.
- Você está estranha. É porque não te liguei? Desculpe, mas perdi meu telefone celular!
- Não é isso, Bruno - sussurra Jeitosinha.
Encarando o amado fixamente ela pede, com a voz trêmula:
- Me beija! Me beija como se fosse nosso último beijo de amor!
Ondas de calor percorrem os corpos dos dois jovens. Bruno começa a explorar o corpo da amada com as mãos, numa liberdade que nunca experimentara antes.
- Tenho algo importante a lhe dizer, Bruno - diz a bela loira, no exato momento em que os dedos do rapaz percebem um inesperado volume entre as pernas de Jeitosinha.
- Já sei, amor - responde Bruno, abrindo um sorriso.
- Já sabe? - surpreende-se a moça.
Bruno aperta levemente o pênis da loira.
- Claro, querida! Estou sentindo. Voce achou meu celular!

Aceitará Bruno a bela Jeitosinha?

segunda-feira, 9 de março de 2009

Capítulo III - A Revelação


Só a voz de taquara rachada e a sandália número 41 davam indícios do segredo que envolvia a natureza de Jeitosinha. Mas o que todos viam era uma loira de 1,70m, cabelos sedosos até a cintura, cativantes olhos verdes, cintura fina, coxas grossas e bem torneadas, seios pequenos e uma bunda perfeita.
- Como ela consegue não ter nenhuma celulite? Parece bunda de homem! - alfinetavam as amigas.
Era sobre a beleza e a feminilidade da filha que Marilena pensava quando a chamou para uma conversa definitiva.
- Querida, tenho algo muito importante a lhe revelar.
- O que foi, mamy? - perguntou Jeitosinha, apreensiva, lendo a angústia nos olhos da pobre senhora.
Marilena respirou fundo e foi diretamente ao ponto central do problema, como se tentasse extirpar com um único golpe o câncer moral que atormentava sua existência:
- Você não é uma mulher.
- Claro que não mamãe!
- Você já sabia, Jeitosinha? - surpreendeu-se Marilena.
- Claro, tenho minhas amigas na escola. Embora você nunca tenha me falado sobre essas coisas, eu sei que não sou mulher.
Marilena respirou aliviada.
- Então você já sabia que...
- Sim, mamãe. Eu ainda sou uma donzela.
Por um instante Marilena deixou-se abater pelo desânimo. Pensou em sumir, dar cabo da própria vida, qualquer coisa que a livrasse da enorme decepção que teria que causar à filha. Mas Jeitosinha era uma garota doce e compreensiva. E mesmo sendo loira, devia ter, mesmo que instintivamente, a percepção de que não era uma moça como as outras.
- Querida... - perguntou Marilena - Você nunca notou nada de estranho no seu corpo?
- Bem, mamãe... - respondeu Jeitosinha, encabulada - Eu nunca entendi muito bem porque eu sinto uma dor horrível entre as pernas quando uso uma calcinha apertada ou tomo uma bolada no vôlei...
- O que mais, minha filha?
- Hmmm... Nas aulas de Educação Sexual eu tenho uma certa dificuldade em entender por onde é que os homens depositam na gente as tais sementinhas...
Era a oportunidade que Marilena esperava para contar à menina toda a verdade.

Como reagirá Jeitosinha à constatação de que é espada?

domingo, 8 de março de 2009

Capítulo II - A Farsa


Não foi difícil esconder do pai da criança a verdade sobre Jeitosinha. Ambrósio era um homem conservador e moralista, embora seus atos não correspondessem à disciplina rigorosa que impunha aos filhos e à esposa. Por esta razão, ninguém estranhou que desde muito cedo a caçula tenha sido criada em total isolamento em relação aos seis irmãos, sob o olhar atento de Marilena.
Para Ambrósio e os vizinhos, a intenção da mãe era preservar a honra e inocência da filha. A menina era o tesouro do pai. Sem contato íntimo com outras crianças, a própria Jeitosinha cresceu desconhecendo sua real condição de travesti. Os traços finos da criança colaboravam, e quando a adolescência chegou, Marilena passou a misturar hormônios femininos ao Biotônico Fontoura que dava diariamente à menina, com resultados surpreendentes.
Aos 20 anos, Jeitosinha era não apenas uma mulher, mas a mulher mais bonita do bairro. Foram raros os incidentes que ameaçaram revelar o segredo de Marilena. O mais grave aconteceu quando a menina tinha 15 anos. Era uma tarde de domingo quando Arlindo, o irmão mais velho, entrou na sala gritando:
- Eu vi a Jeitosinha fazendo xixi em pé! Eu vi a jeitosinha fazendo xixi em pé!
Com presença de espírito, antes mesmo que Ambrósio raciocinasse sobre a frase, Marilena deu um safanão no rapazote:
- Espiando sua irmã no banheiro, não é, safado?
Diante da possibilidade de que a intimidade inocente de sua filhinha tivesse sido violada, Ambrósio deu uma surra de cinto no pobre Arlindo. Só depois de muitas chibatadas e que foi cair a ficha:
- Peraí, moleque. Você disse que viu sua irmã mijando em pé? Que historia é essa?
Mas quando Arlindo saiu do coma, uma semana depois, o pai já nem se lembrava mais da pergunta formulada segundos antes dele perder os sentidos. Para Ambrósio, tratava-se apenas de uma brincadeira do jocoso Arlindo.
Aqueles foram dias difíceis para Marilena. Mas a crise que aquela pobre mãe zelosa enfrentava agora, cinco anos depois, era muito mais grave. Estava chegando a hora de contar a verdade à filha: Jeitosinha estava apaixonada.

Resistirá Jeitosinha à trágica revelação de sua natureza?

sábado, 7 de março de 2009

"JEITOSINHA"



A que era sem nunca ter sido...




Capítulo I - O Nascimento de Jeitosinha

Ambrósio e Marilena já tinham seis filhos, mas a iminência da chegada de um sétimo rebento criava um clima de tensão no lar. As seis tentativas anteriores não foram suficientes para realizar o sonho do homem: ser pai de uma menina.
Contínuo num banco de pequeno porte, indivíduo de temperamento difícil e tendo sido vitima de tortura (durante a infância era obrigado a se vestir de marinheiro e usar botinhas ortopédicas), Ambrosio vivia como uma bomba prestes a explodir.
Por isso Marilena nem se espantou quando o marido, com um tom de voz até doce se comparado ao tratamento habitual que dispensava a família, decretou:
- Se for outro cueca eu te mato sua vaca!
Para a sorte da pobre mulher, Ambrosio estava no trabalho quando ela entrou em trabalho de parto. Ao conferir, com a criança ainda nas mãos da parteira, que se tratava de mais um menino, Marilena chorou convulsivamente.
Dona Nair, a velha parteira, tentou consolá-la com as palavras simples, porém sábia dos humildes:
- É depressão pós-parto. Estima-se que ela atinja 10% das puérperas. Ela pode ser severa e resistente ao tratamento farmacológico, mas o estrogênio em doses decrescentes, durante duas semanas, mimetizando o ciclo ovariano, tem sido eficaz em alguns casos, viu, fia?
- Não é isso, Dona Nair - interrompeu a mulher, entre lágrimas - o problema é que o Ambrosio vai me matar se souber que é outro varão.
Dona Nair era uma mulher experiente. Com um sorriso maroto, sugeriu:
- Se é assim, crie o garoto como se fosse uma menina. Ambrosio nunca saberá a diferença
- A senhora acha que isso pode funcionar? - animou-se Marilena.
- Já vi demais! Lembra daquela pivô que jogava na seleção de basquete?
Agarrando-se àquele fio de esperança, a mãe abraçou carinhosamente a criança e encheu-se de ternura.
- É... pode dar certo. Até que ele é jeitosinho...
- Jeitosinha, fia... - corrigiu Nair - Jeitosinha!

Conseguirá Marilena levar esta farsa adiante?

that's life

Os próximos tópicos serão dedicados a uma história de amor, drama, violência e mistério, como não poderia deixar de ser em um relato da vida como ela é.