"Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais..."
Clarice Lispector
E já que este é o assunto da vez, deu no Estado de São Paulo:
Homens sentem mais dificuldade após divórcio, diz psicóloga
Voltar a ser solteiro não é tão simples quanto parece. Retomar velhas amizades - ou fazer novos amigos -, descobrir o local da azaração e se aproximar de uma mulher são as novas dificuldades do recém-solteiro. E, ao contrário do que parece, os homens têm mais dificuldades para se adaptarem ao novo estado civil.
"As mulheres costumam ter mais amigos íntimos e familiares para se abrirem. Os homens tendem a confiar apenas em suas mulheres e, quando se divorciam, se sentem perdidos em não ter com quem conversarem", conta a psicóloga americana Laurie Helgoe.
Esquecer traumas, adaptar-se à nova realidade e saber o que dizer na "hora H" são algumas das dicas da especialista. Com a experiência de personal trainer amorosa, Laurie escreveu o livro "De Volta ao Mercado - reaprendendo a namorar depois da separação" para quem acabou de terminar um longo relacionamento e se vê perdido no mundo dos solteiros.
O terapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Junior concorda que são muitas as dificuldades a serem superadas. Ele explica que a mudança no estado civil é uma mudança de identidade social complexa. "Isso depende de tempo e de assimilação por si próprio e pelos outros à volta, que nem sempre facilitam o processo." Para quem pensa em casar logo: a readaptação é mais fácil para quem tem experiência como solteiro.
Laurie Helgoe dá quatro dicas para quem saiu traumatizado de um relacionamento: conversar com amigos sobre a tristeza e, em caso de depressão, consultar um psicanalista; se valorizar e não aumentar o sofrimento; desenvolver a auto-estima - seja relembrando os sucessos amorosos do passado, renovando o guarda roupa, indo à academia; e, por último, se divertir quando for a um encontro.
Laurie conta que a maior dificuldade para quem saiu de um relacionamento é esquecer o passado e se abrir para o novo. "As pessoas tendem a pensar que as coisas vão acontecer da mesma forma que antes. Vale destacar que é muito importante aprender com o passado, ver o que não funcionou no relacionamento e como você pode evitar que ocorra novamente."
Humberto Maia Junior
terça-feira, 12 de agosto de 2008
it's too late
segunda-feira, 21 de julho de 2008
the cry for the spilled milk
Desculpem-me pelo título da postagem, acho que forcei um pouco né? Enfim, quem, honestamente, nunca disse ou pior, escreveu coisas de que se arrependeu depois? Nestes tempos globalizados, onde os e-mails são recebidos quase que instantaneamente, não dá tempo de voltar atrás. Quando se percebe, já foi. Não dá pra tentar pegar de volta com o carteiro. E quem recebe, lê na hora, não pensa duas vezes. E é assim que são feitas as cagadas que depois não têm conserto. Já era. O choro pelo leite derramado de nada adianta e o jeito é se conformar em passar por ridículo. Afinal,
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)"
segunda-feira, 14 de julho de 2008
all I want
"Se apenas soubesses o quanto te quero
Se sentisses o mesmo que sinto
Verias que não sai de mim
A tua imagem.
Mas pensar em ti é pouco
Pouco para o tanto que te quero
Para o tanto que te desejo
Aqui, agora.
Também pensas em mim – dizes
Não tanto quanto eu em ti - digo
Ter tua amizade é uma dádiva
Ser teu amigo é tortura.
Porque isso é muito pouco
É quase nada do que quero
Muito aquém do que desejo
E do que espero de ti.
Pois que te quero como um todo, completamente
E não em parte.
E se agora partes sem me dar tudo,
Não quero de ti mais nada."
Para ler ouvindo Everytime.
sábado, 12 de julho de 2008
more than poetry
Parafraseando Clarice Lispector, é uma história em tecnicolor para ter algum luxo, por Deus, que eu também preciso. Amém para nós todos.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
words of a poet
Ultimamente ando lendo muito. Nada de livros específicos - apesar que recentemente comprei "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector, em áudio-livro - mas trechos destes. E em uma destas procuras me deparei com isto:
Ahora se acostumbren sin mi.
Yo voy a cerrar los ojos
Y solo quiero cinco cosas,
cinco raices preferidas.
Una es el amor sin fin.
Lo segundo es ver el otoño.
No puedo ser sin que las hojas
vuelen y vuelvan a la tierra.
Lo tercero es el grave invierno,
la lluvia que ame, la caricia
del fuego en el frio silvestre.
En cuarto lugar el verano
redondo como una sandia.
La quinta cosa son tus ojos,
Matilde mia, bienamada,
no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera
por que tu me sigas mirando.
Amigos, eso es cuanto quiero.
Es casi nada y casi todo."
É de Pablo Neruda esta poesia. E não a traduzi de propósito. A prosa pode ser traduzida sem que se perca muito do sentido que o autor quis dar à obra, mas a tradução da poesia deve ser evitada para que prevaleça a idéia de quem escreveu e não de quem traduziu.
Nunca fui um romântico ao pé da letra, mas ultimamente estou meio sensível às coisas do amor e essas palavras de Neruda meio que me deixaram tocado, e quase chorei.
