sábado, 2 de outubro de 2010

good music

Triscaidecafobia é o termo técnico que define "um medo irracional e incomum ao número 13". A origem desta superstição é bastante antiga e persiste até os dias de hoje. Alguns edifícios, por exemplo, não possuem o 13º andar. O Hôtel Costes, localizado no número 239 da sofisticada Rue Saint-Honoré, em Paris, também não tem o quarto 13. Para quem não conhece, o Costes ocupa um edifício do século XIX decorado com opulência e elegância clássicas, cobra a bagatela de €400 a diária e simplesmente despreza quem não é uma celebridade. À noite, o bar e o restaurante transformam-se em um verdadeiro nightclub frequentado por gente linda e fútil e com excelentes DJ's tocando house music da melhor qualidade. O mais famoso deles é Stéphane Pompougnac, que desde 1999 lança compilações que levam o nome da casa. Este ano, no próximo dia 4 de outubro, chegará às lojas o de número 14, que segue o 12, obviamente porque não haverá o de número 13. Simples assim.


Apesar de ainda não ter sido lançado oficialmente, o CD já está liberado para pre-order em lojas virtuais como a Amazon ou iTunes Store, mas já se encontra à venda na boutique do próprio hotel, onde recentemente estive e adquiri um exemplar, que aproveito para compartilhar com meus amigos. Sim, eu sei que sou bonzinho demais...
Clique aqui para baixar o CD completo em formato MP3 com qualidade 192kbps.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

let's learn something


Porque a vida, mesmo louca e absurda, é um eterno aprendizado!
E ninguém tá à toa aqui não, viu Amaury?

terça-feira, 13 de abril de 2010

what's up, doc?

Entra em vigor, hoje, o novo Código de Ética Médica, substituindo o anterior de 1988. Traz mudanças importantes no que tange à relação médico-paciente, porém deixa de fora questões polêmicas como a ortotanásia.
Os doentes terminais agora podem escolher não continuar seu tratamento, vedando ao médico praticar terapias desnecessárias que somente prolonguem o sofrimento. O novo código estabelece, ainda, que o médico deve escrever a receita de forma legível - e nesse ponto creio que terei problemas! - e não poderá prescrever à distância. Está proibida, também, a manipulação do genoma humano para fins de escolha do sexo ou das características genéticas dos bebês, mas a terapia gênica é permitida, o que traz uma nova esperança aos portadores de doenças crônicas até então consideradas incuráveis.
Entre tantas outras modificações menos significativas, ele é omisso na defesa profissional. Nossa classe é vítima de um processo crônico de desvalorização, com excesso de escolas médicas e uma enxurrada de profissionais despejados anualmente no mercado, a maioria com formação bastante duvidosa. Muitos pensam que tais questões não cabem ser abordadas dentro da Ética, mas posso afirmar que um médico despreparado para exercer a Medicina é, de longe, o maior gerador de processos ético-profissionais. Os pacientes que o digam.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

inner beauty

Alguns objetos que pertenceram a Marilyn Monroe irão a leilão no próximos dias 26 e 27 de junho, no Planet Hollywood Casino em Las Vegas. Até aí nada de mais, não fosse pelo inusitado de um dos lotes: uma radiografia de tórax tirada em 1954 no Cedars of Lebanon Hospital em Los Angeles, quando ficou internada para tratar-se de uma endometriose, um mês após o divórcio de Joe Di Maggio.

Uma prova de que a atriz, que por fora ostentava uma beleza exuberante, era por dentro exatamente igual a qualquer outro ser humano, composta de ossos, músculos, vasos e sangue. Tinha problemas de saúde, sentia dor, emocionava-se e, talvez em busca da felicidade, cometia erros. Assim como todos nós.

domingo, 28 de março de 2010

sex, sighs & videotape

Woody Allen certa vez disse que não se deve criticar a masturbação, pois trata-se de sexo com alguém que se ama. Seguindo este conceito, o fotógrafo Robbie Cooper produziu especialmente para o site da revista Wallpaper um vídeo no mínimo interessante: uma série de entrevistas com aficionados em pornografia contando suas experiências e assistindo a conteúdo pornográfico, com direito a caras, bocas e suspiros. Engraçado, nada excitante mas, como eu disse, interessante, pois joga no ar várias questões sobre voyeurismo, exibicionismo e, claro, sexo solitário.

Veja aqui o vídeo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

a genious in action

Uma de minhas maiores frustrações na vida é não saber desenhar. Não sei mesmo. Não tenho talento. Vendo alguém fazendo isso parece ser tão simples e fácil:



Bem, para um gênio, tudo parece simples e fácil...

sexta-feira, 12 de março de 2010

ice show

Espetacular. Não achei melhor palavra para definir o visual do desfile da coleção de Outono/Inverno da Chanel no último dia 09 deste mês na Semana da Moda de Paris.
Gigantescos blocos de gelo de 240t ganharam forma nas mãos de 35 escultores e resultaram nisso:


Uma caixa de 5.300 metros quadrados abrigava a passarela pintada com efeito trompe l'oeil e coberta com uma fina camada de água, dando a impressão de icebergs que emergiam em meio às modelos equipadas com galochas transparentes, transformando o Grand Palais em um pedaço da Antártida no coração de Paris.

Não demorou muito para que os ecochatos começassem a especular sobre um possível protesto de Karl Lagerfeld contra o aquecimento global. O que pareceu mesmo é que o homem sabe exatamente como fazer um show de moda e não poupou esforços ou recursos para fazê-lo.
No entanto foi a coleção, soberba para variar, que chamou a atenção e deu o seu recado. Toda a produção visual, ao que parece, é apenas a ponta do iceberg da criatividade do gênio.

quarta-feira, 10 de março de 2010

piss on this

Clark Sorensen é americano e ganha a vida fabricando mictórios para bares e restaurantes. São flores, folhas, conchas, bocas, até mesmo os tradicionais brancos de porcelana, que chegam a render-lhe até US$8 mil por peça. O mais inusitado e criativo, na minha opinião, é este:

Carinhosamente apelidado de "George", foi concebido como uma homenagem à vida e obra do ex-presidente George W. Bush. Nada parece mais apropriado que descarregar os fluidos interiores na cara de um dos maiores imbecis da história da humanidade. Quando será que chegam as latrinas?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

write in peace

A Montblanc resolveu fabricar uma caneta em edição limitada para homenagear Mahatma Gandhi, pacifista indiano e famoso defensor da não-violência como forma de protesto. Apesar da simplicidade da sua vida e de seus valores, a caneta que homenageia o líder espiritual e fundador do moderno Estado indiano é feita de ouro e prata e traz sua figura gravada na pena, tudo pela bagatela de US$24 mil.
A Justiça indiana não gostou e entrou com um processo para impedir a distribuição da caneta no país, alegando que o instrumento de luxo não é uma forma adequada de homenagear alguém conhecido por sua austeridade e que a Lei indiana proíbe o uso impróprio de símbolos e nomes.
Em um país onde cerca de 40% dos adultos é analfabeta, escrever não deve mesmo fazer parte do cotidiano das pessoas. Mesmo assim, das 70 canetas destinadas à comercialização na Índia, 42 já foram vendidas. A fundação de caridade do bisneto de Gandhi já recebeu da companhia US$145 mil em doações e receberá entre US$200 e US$1 mil para cada caneta vendida. Ou melhor, receberia, visto que a Montblanc anunciou a suspensão das vendas até que o processo seja julgado.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

travelling around

Os ingleses, como sempre, adoram inventar moda. A última ideia que lançaram não é exatamente original, porém extravagante: um hotel flutuante.
Não se trata, contudo, de algo que flutue sobre as águas, como os grandes navios trans-oceânicos. Ele flutuaria no ar. Isso mesmo, como um grande Zeppelin. Como disse, não se trata de uma ideia nova, visto que o conceito do grande balão foi desenhado e patenteado no século XIX. O projeto, sim, é moderno. Serviços 5 estrelas para poucos abastados que, entediados com o modo tradicional de viajar, gostariam de variar um pouco e experimentar as emoções de cruzar o mundo dentro de uma bolha de gás.
Esperamos que a tecnologia moderna tenha superado um problema elementar em veículos deste tipo: a alta inflamabilidade do hidrogênio. Uma pena seria se tão grandioso projeto tivesse o mesmo fim do Hindenburg.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

we are the world

Há 25 anos um grupo de 45 artistas, entre eles Michael Jackson, Lionel Ritchie, Diana Ross, Ray Charles, Bob Dylan, Stevie Wonder, se reunia em um estúdio de Hollywood para gravar um single com o objetivo de arrecadar fundos para o combate à fome na África. "We Are The World" rendeu nada menos do que US$55 milhões. Eu mesmo ainda tenho o vinil!
Semana passada, um outro grupo de mais de 70 celebridades, incluindo Celine Dion e Barbra Streisand, juntaram-se no mesmo estúdio para regravar a música, desta vez em prol do Haiti.
Eu sei que é tudo muito nobre, a música até que é bonitinha mas, assim como a África continua faminta, o Haiti, com ou sem terremoto, continuará na miséria. O unguento alivia os sintomas mas não cura a doença, que, aliás, pelo atual rumo que a humanidade está tomando, já começo a acreditar que seja incurável.

domingo, 31 de janeiro de 2010

finding nemo

Está aberta a temporada de pesca nos túneis de São Paulo. O gari Renato Gouveia encontrou, morta, uma tilápia de 1,5kg dentro do Túnel do Tribunal de Justiça, um dia após o mesmo ter ficado alagado por quase 40 horas em decorrência das chuvas que assolaram a capital neste mês de janeiro. Provavelmente oriundo do lago do Ibirapuera, o ciclídeo teve o seu sonho de liberdade interrompido pela falta de oxigênio causada pelo encontro das águas pluviais com os esgotos do Itaim-Bibi. Rumava à Marginal Pinheiros e ao rio do mesmo nome, começo da longa jornada que se desenharia à frente: alcançaria o Cebolão e entraria no Tietê, rumaria ao interior passando por cidades históricas, barragens e eclusas até chegar ao grande Paraná que, rumo ao sul, o levaria até o Prata e o Oceano. Por ser peixe de água doce, morreria ao chegar lá, mas ao menos teria vislumbrado as Cataratas. Um fim precoce para quem tinha todo o potencial de Nemo.

rich faces

Como se não bastasse a cafonice genética de Caras, eles sempre conseguem se superar. Agora, quem compra - e, acredite, tem muita gente que compra! - um exemplar da revista ganha uma ma-ra-vi-lho-sa peça do mais puro VIDRO (!) para colecionar. São taças, copos, garrafas e até um decanter que, como charme, possuem uma coroa gravada em tinta dourada que deve, literalmente, ir por água abaixo à primeira lavada. A coleção, que promete "dar um toque de realeza à sua casa" tem como garota-propaganda ninguém menos que a herdeira dos Orléans e Bragança. Descendente de duas das casas reais mais famosas da Europa, a princesa aparece "montada" em um figurino digno das melhores novelas de época. É de chorar de rir. E de fazer os ancestrais se revirarem em seus túmulos!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

do i need it?

E a Apple finalmente lançou o seu tablet. Procurando ocupar o vácuo existente entre os smartphones e os laptops, a empresa anunciou a chegada da sua nova vedete: o iPad.
Após meses de espera e uma empolgação exacerbada de especialistas e viciados em tecnologia, o próprio Steve Jobs encarregou-se da apresentação do produto com uma palestra em Cupertino, CA na última quarta-feira. Mais magro do que o próprio Jobs - 1,5cm de espessura - e tela multitouch de 9,7", o novo produto não impressionou como deveria. Parece mais um iPhone gigante. Falta uma câmera integrada, portas USB e gerenciador de arquivos. A tela não é widescreen e o sistema - iPhone OS e não Mac OS - é muito limitado. É bonito, sim, mas pelo visto não cumprirá o seu propósito de ocupar o lugar dos famigerados netbooks, os laptops lentos e de baixo custo tão criticados.
Resta-nos esperar para ver se, por US$499, ele fará sucesso ou cairá no esquecimento como o Mac G4 Cube e o MacBook Air.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

happy birthday

Hoje é aniversário de São Paulo. E, como não poderia deixar de ser, com chuva. Diga-se de passagem, não pára de chover há tantos dias que já perdi a conta. Nesse dia úmido e frio de verão, isso mesmo, VERÃO, afinal estamos em janeiro e habitamos ao sul do Equador, resolvi ressuscitar mais uma vez o blog.
E começo com uma singela homenagem a essa velha senhora que nos acolhe, nos dá casa, comida e roupa lavada e, claro, cobra seu preço. Sou apenas um entre os seus 20 milhões de filhos, naturais e adotados, que, neste momento diz, simplesmente, parabéns e obrigado.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

a seat by the window, please!

Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião. A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem. Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.

Cresci, me formei, comecei a trabalhar. Desde o início, viajar era um desejo constante. Conhecer outras cidades, outros países, lugares diferentes sempre me fascinaram. No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.

O tempo foi passando e podia ficar ausente do tabalho apenas por poucos dias, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi um pouco do encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido. As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair, sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.

Em uma viagem recente, por um desses maravilhosos acasos do destino, estava eu louco para voltar a São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar o mais rápido possível para não pegar o horário de pico e o trânsito infernal da 23 de maio. O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui correndo para o portão. Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.

E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez em que voara. Senti novamente, e estranhamente, aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu. Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada voo em que desprezava aquela vista. Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, dos meus relacionamentos, do meu trabalho e convívio pessoal?

Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida. Ela também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos. Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar uma das belezas que viagem nos oferece.

Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas no corredor para embarcar e desembarcar rápido e ganhar tempo, pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar. A aeronave da nossa existência voa célere e a duração do voo não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.

Afinal, a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Capítulo XXIX - Epílogo


- O que Bruno lhe disse de tão importante naquela noite? - perguntou Jeitosinha, ansiosa, ao travesti Kátia Trovoada.
- Bem, mona, ele chegou aqui todo sem gracinha. Estava bem bêbado, mas nem por isso perdeu a timidez.
- Sei, e então? - a loira mal controlava suas emoções.
- Então eu perguntei como ele queria, e coisa e tal... ele me disse que era a sua primeira vez num lugar como esse, e provavelmente a última.
- O que mais?
- Bem, ele disse que não estava à vontade, mas que precisava se colocar à prova, por amor. Na ocasião não entendi nada, pensei que era coisa de bêbado, mas agora...
Os olhos de Jeitosinha brilharam:
- Sim! Como não pensei nisso antes? Ele queria saber se conseguiria se adaptar ao meu estranho jeito de amá-lo!
- Ah, santa, carinha de quem estava se adaptando ele fez! - emendou Kátia, com um gesto afetado.
- Vou procurá-lo agora mesmo!
Enquanto Jeitosinha corria para os braços de seu amado, Bruno colocava um ponto final em sua relação com Adenaíra. Foi uma longa conversa, que terminou em clima cordial.
- Não me leve a mal. Pensei que pudesse esquecer Jeitosinha, mas é impossível. De alguma maneira, sinto que quando estou com ela tudo parece se encaixar.
- Se eu tivesse sabido antes... - lamentou Adenaíra. - De qualquer forma, devo-lhe minha vida. Sou grata pelos dias que passamos juntos e pelos seus cuidados. Espero que um dia você e Jeitosinha possam voltar a se entender.
- Não creio ser possível.
- Que segredo você guarda sobre ela? Existe algo mais além da particularidade anatômica?
- Não me force a dizer. Só lhe adianto que sua irmã não é quem parece ser.
Neste momento a porta da sala se abre de forma dramática.
- Sim, Bruno! Sim, meu amor! Sou sua Jeitosinha! Jamais fui tocada por outro homem que não você!
É claro que àquela altura do campeonato, falar sobre Beth Balanço era perfeitamente dispensável. Aliás, ela era uma mulher.
- Não pode ser! Eu vi você naquele local deplorável!
- Eu vinha sendo chantageada por Arlindo, mas não cheguei a entrar em ação! É uma longa história meu amor.
Bruno começou a se despir de sua casca de rancor.
- Eu... eu também só fui lá naquele dia porque...
- Eu já sei. Esqueça, Bruno, não diga nada. Apenas me beije!
Cabisbaixa, Adenaíra deixou o apartamento de Bruno e seguiu a esmo pelas ruas escuras da cidade.
Jeitosinha e seu homem se amaram loucamente, como estavam predestinados a fazer por muitos e muitos anos.

Não muito longe dali, uma nave espacial alienígena pousa no matagal.
- Porque voltamos, chefe? - perguntou uma das criaturas verdes.
- Veja com seus próprios olhos! Compramos gato por lebre!
O ET entregou ao colega um exemplar de uma popular revista pornográfica.
- Ué... aquela moça que trouxemos à nave tinha um detalhe a mais.
- Claro! Era um homem disfarçado!
- Como o senhor descobriu?
- Bem, já tínhamos até saído desta galáxia quando resolvi folhear umas revistas que levei de recordação deste planetinha atrasado. Foi aí que me deparei com estas fotos de mulheres nuas e percebi tudo: as fêmeas daqui são, aparentemente, exatamente como as nossas! Tudo indica que estão prontas para reproduzir nossos filhos!
- Que beleza, chefe! O que faremos?
- O óbvio: pegaremos uma outra mulher, nos certificaremos de que ela não tem nenhum complemento indesejável e voltaremos às nossas experiências!
- Então aproveita, chefe! - disse um dos homens verdes, olhando pela escotilha. - Vem vindo uma gatona ali!
E foi assim que Adenaíra acabou nas mãos dos extraterrestres. Por mais que os cientistas do outro mundo se esforçassem, continuaram sem entender o mecanismo de reprodução dos seres humanos.
Adenaíra nunca mais foi vista. E como Jeitosinha preferiu guardar segredo sobre sua experiência com os ETs, o planeta Terra nunca soube que duas irmãs, numa surpreendente manobra do destino, acabaram salvando a humanidade.

Hoje, quem vê na missa dominical Jeitosinha e Bruno com suas lindas crianças adotadas, nem imagina que, por trás daquela aparente normalidade, repousa um segredo e uma história surpreendente. E se vocês acham que os homenzinhos verdes são a parte mais bizarra desta saga, é porque não viram Jeitosinha e Bruno em seus momentos de intimidade.


O FIM

domingo, 5 de abril de 2009

Capítulo XXVIII - Desfechos Finais


Alguns dias se passaram desde a morte de Ambrósio. Adenaíra vinha se recuperando da infecção hospitalar. Bruno a levara para sua casa e a convivência era amigável. A nova moça se esforçava para transformar aquele apartamento de solteiro em um lar, e o rapaz gostava de sua companhia. Mas não conseguia esquecer Jeitosinha e ainda sentia um enorme, digamos, vazio por dentro.

Como era de se esperar, os exames periciais confirmaram que tratava-se da letra de Ambrósio no bilhete. Provaram também que as digitais eram mesmo de Arlindo. Impotente diante da armadilha da irmã, e diante das péssimas condições da carceragem, o rapaz simplesmente enlouqueceu. Ora pensava ser Napoleão, ora delirava como Fernando Collor.

Na casa de Jeitosinha, todos se esforçavam para retomar às rotinas de suas vidas. Adenaíra escrevera contando da operação e de como estava feliz com sua nova condição. Omitira, entretanto, que era hóspede de Bruno.

No bordel de Madame Mary, Jeitosinha buscava superar a perda do seu amado nos braços de Beth Balanço. O treinamento da loira continuava. Na penumbra do seu escritório, a cafetina continuava instruindo Jeitosinha sobre os mistérios do amor e do sexo, mas ainda eram apenas aulas teóricas, o que já estava deixando nossa heroína impaciente.
- Às vezes sinto que a senhora, deliberadamente, está adiando minha estréia profissional. - questionou um dia Jeitosinha.
Pela primeira vez, a sempre segura Madame Mary pareceu incomodada.
- Que bobagem, querida. Já lhe disse, tenho uma imagem a zelar. Tudo virá a seu tempo.
Jeitosinha vinha se abrindo cada vez mais com a patroa. Chegou a confessar o atentado com a serra-elétrica, o plano que incriminou Arlindo e o desejo de se vingar da mãe.
Madame Mary a tudo ouvia, sem emitir qualquer opinião. Naquela tarde, entretanto, encontrou Jeitosinha mais fragilizada do que de costume.
- O que houve, criança? - perguntou a cafetina.
- Não sei o que está havendo comigo, Madame Mary. - disse a loira, com a voz embargada.
- Talvez seja a falta de Bruno, ou o remorso por ter tirado a vida do meu pai. Mas o fato é que estou fraquejando. Começo a achar que talvez mamãe não seja assim tão culpada pelo meu destino. Talvez seja a maior das vítimas, preservando um segredo por tantos anos apenas para poupar a todos da ira de Ambrósio.
- O que você quer dizer com isso? - perguntou Mary.
- Quero dizer que estou cansada de ódio e sofrimento. Vou buscar minha felicidade. E começarei procurando mamãe e dizendo que a perdôo.
- Não creio que você precise procurá-la. - disse Madame Mary, num tom de voz bastante familiar.
A mulher aproximou-se do fraco abajur que iluminava o escritório, e, com lágrimas banhando o rosto, retirou sua máscara.
- Mamãe? É você! Não pode ser!
- Claro que sou eu, querida. Você acha que com o salário de contínuo do seu pai conseguiríamos criar sete filhos e ainda comprar pra você a coleção completa da Barbie?
- Então é por isso que o meu treinamento nunca terminou! Você não queria prostituir a própria filha!
- Sim, este foi apenas um dos muitos sacrifícios que fiz por você. Fui eu quem joguei fora os restos mortais de Ambrósio e limpei a bagunça na sala. O telefonema e o bilhete falando da pescaria também foram invenções minhas.
- Então... papai realmente havia morrido? - espantou-se.
- Sim! Só não me pergunte como ele voltou à vida. Talvez tenha sido um milagre dos céus para poupá-la, Jeitosinha. Você já havia sofrido demais, e aquele plano da serra-elétrica era simplesmente ridículo. Você deixou suas digitais espalhadas pela casa inteira! O segundo crime foi muito mais requintado, e ainda puniu o chantagista do Arlindo.
Jeitosinha abraçou a mãe, emocionada. Finalmente, quase tudo parecia se encaixar. Era um tempo de recomeço. De repente, Jeitosinha percebeu que o bordel nunca fora seu lugar. O que de fato a atraía era o magnetismo de Madame Mary, que não era ninguém menos que a sua Marilena. Não fosse a saudade que sentia de Bruno, tudo estaria perfeito em sua vida.
No final daquela tarde, Jeitosinha se despediu das colegas de bordel.
- Vou tirar um tempo para mim. Preciso repensar minha vida. Talvez volte a esta casa como auxiliar de mamãe, não sei. O importante é que fiz muitos amigos aqui.
Beth Balanço chorava copiosamente.
- Está tudo acabado entre nós? - perguntou.
- Sim, Beth, não adianta. Bruno é o meu único amor. Preciso esquecê-lo antes de poder recomeçar com outra pessoa.
Beth pareceu entender. Tanto que deu a Jeitosinha um conselho bem prático:
- Se você o ama tanto, porque não tenta uma reaproximação? Tudo bem, ele pensa que você é uma de nós, mas você, em contrapartida, flagrou-o nos braços da Kátia Trovoada.
Kátia, o traveco moreno que possuiu Bruno, espantou-se:
- Aquele era o seu bofe? Ih, menina, você está sofrendo à toa!
- Como assim? - surpreendeu-se Jeitosinha.
E Kátia começou a narrar o diálogo que ela e Bruno tiveram antes do ato de amor.

Quais serão as revelações de Kátia?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Capítulo XXVII - O Desfecho do Assassinato


-Eu não matei papai!
Arlindo gritava com a convicção dos inocentes, mas a detetive Vanessa estava impassível.
- Você vai explicar isso ao tribunal. Temos evidências mais do que suficientes para prendê-lo.
- Quais? Quais são as evidências? - perguntou, inconformado.
- Seu pai amanheceu morto, e tudo indica que foi envenenado. Sua mãe percebeu logo no começo da manhã e nos chamou. Enquanto você dormia, procuramos pistas pela casa e encontramos, no fundo de sua gaveta de cuecas, o frasco de um veneno muito poderoso.
- Não pode ser! - interrompeu o encrencado Arlindo. - Alguém colocou isso lá para me incriminar!
Vanessa sorriu com sua frieza habitual.
- Não adianta, Arlindo. É melhor confessar. Você não contava com isso, mas seu pai, prevendo o seu trágico destino, escreveu uma carta.
A moça fez um sinal com os dedos e um dos assistentes entregou-lhe o pedaço de papel. Vanessa prosseguiu.
- Estava no bolso do pijama de Ambrósio. Veja o que diz:
"Se alguém encontrou esta carta, provavelmente já estarei morto. O fato é que recobrei minha memória. Arlindo, meu filho mais velho, foi o responsável pela primeira tentativa de assassinato. Ainda não sei o que farei, mas como ele pode tentar de novo, deixo registrada esta denúncia. Arlindo nunca me perdoou por uma grande surra que lhe dei em sua adolescência, e nunca me perdoou por gostar mais de Jeitosinha. Percebendo que eu finalmente começava a me lembrar de tudo, passou a me ameaçar. Tenho medo de procurar a Polícia. Aliás, como tornei-me um monstro, não faz tanta diferença estar vivo ou morto. Tudo o que desejo é que, caso dê cabo de minha vida, o cruel Arlindo seja punido."
Ambrósio assina a carta. É claro que ainda faremos um exame grafotécnico.
- Não pode ser! Este bilhete é forjado! Você verá! - disse o primogênito de Ambrósio e Marilena.
- Há ainda uma terceira pista. - completou Vanessa.
- Existe este copo, encontrado ao lado da cama do seu pai, com resíduos do mesmo veneno encontrado em seu quarto, dissolvido em suco de groselha. Nele há digitais de duas pessoas diferentes.
"Sim!" - pensou Arlindo. "Agora eu entendo! Foi Jeitosinha! Ela me serviu uísque ontem, neste mesmo copo. Como ela usava luvas, só as marcas de meus dedos estão no vidro!".
Em pânico e tremendo de ódio, Arlindo apontou para a irmã:
- Foi ela! Ela é uma farsa! Um travesti maníaco e assassino! A senhora ouviu, detetive, o próprio papai dizendo isso!
- Seu pai estava muito abalado. Este tipo de confusão é comum. Mesmo sem querer, Jeitosinha era o pivô dos desentendimentos. Talvez por isso ele a tenha visto em seu delírio. Agora, que história é essa de travesti?. - Vanessa dirigiu a pergunta a Marilena.
- Arlindo está tentando confundi-la, detetive. - a mãe não perdeu a chance de socorrer a filha naquele momento dramático.
- Quer comprovar? - disse Jeitosinha, contando com a negativa de Vanessa.
- Não é preciso, querida. Sei bem como são os homens. Estão sempre tentando encontrar algum defeito nas mulheres bonitas.
Vanessa dirigiu-se aos assistentes e ordenou:
- Levem-no. Vamos esperar o exame da letra no bilhete e das marcas no copo. Você vai aguardar na cadeia o resultado, Arlindo. E caso se comprovem as evidências, não sairá de lá tão cedo.
Debatendo-se e gritando, o cruel Arlindo foi recolhido ao camburão.
Os policiais deixaram a casa e Marilena finalmente demonstrou sua dor chorando convulsivamente.
Na verdade sentia-se aliviada pelo fim de Ambrósio, mas não se conformava com o fato de que um de seus filhos tivesse assassinado o homem.
- Jeitosinha, porque Arlindo tentou incriminá-la?
- Você sabe que ele me odeia, mamãe.
Jeitosinha estava calma e segura. Beijou suavemente o rosto de Marilena e foi para o quarto, já pensando no próximo ato de seu circo de horrores.

Tornar-se-á Jeitosinha uma assassina em série?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Capítulo XXVI - A Mulher Inesquecível


Jeitosinha entregou ao pai uma caneta e um pedaço de papel.
- Assine esta folha em branco.
- M-mas, filha, você sabe que eu não tenho posses.
- Apenas assine!
Meio vacilante, Ambrósio escreveu seu nome no papel.
- Pronto. Estou livre agora?
- Sim. - disse a moça, sorrindo sarcasticamente.
- Tenha bons sonhos.
Jeitosinha foi para seu quarto e esperou pacientemente que todos voltassem para casa. A mãe, que sempre se envolvia nas atividades da Igreja, voltou de uma novena. Os irmãos foram chegando, um a um, se amontoando em volta da TV, como sempre faziam.
Normalmente Arlindo, mais arredio, preferia ficar lendo em algum canto da casa até que todos se recolhessem. Era a hora em que finalmente tinha a sala só para ele, e ficava zapeando os canais de TV.
No silêncio da madrugada, Jeitosinha aproximou-se de Arlindo, vestida como uma Diva do cinema. O longo vestido negro, que exibia seus ombros e expunha parte dos seios, a abertura lateral, por onde podia-se ver furtivamente a longa extensão de sua perna esquerda, o par de luvas cobrindo os braços até além do cotovelo... Tudo remetia à inesquecível Gilda.
Arlindo surpreendeu-se com a maturidade da beleza da irmã, que trazia em um copo uma dose de uísque.
- Sabe, irmão, às vezes a felicidade chega até nós por caminhos estranhos.
- O que você quer dizer? - espantou-se.
- Quero dizer que encontrei meu verdadeiro eu no bordel de Madame Mary. E devo isso a você.
Jeitosinha sorveu um gole generoso de uísque e ofereceu o copo ao irmão.
- Beba comigo. Vamos selar com esta dose de uísque a paz entre nós.
Arlindo pegou o copo com desconfiança. Mas a irmã acabara de provar da bebida, descartando a possibilidade de que estivesse envenenada.
Nervoso, ele bebeu todo o líquido do copo, devolvendo-o à loira.
Jeitosinha pegou uma pedra de gelo e passou provocativamente no pescoço e nos seios. Depois, debruçou-se sobre Arlindo, alisou sua coxa direita e, tocando os lábios em seu ouvido esquerdo, murmurou:
- Amanhã, irmão querido, todos nós começaremos uma vida nova.
A loira disse esta frase enigmática e se retirou.
O cruel Arlindo chegou a pensar que sua irmã estava tão desequilibrada quanto o pai.
Mas logo voltou a entreter-se com um filme barato de TV, antes de mergulhar em um sono profundo.

No hospital público, Adenaíra abria os olhos:
- B-bruno... Pensei que tinha sido um sonho.
- Estou aqui. Estou te esperando. - a frase brotou sem nenhuma convicção.
- Me esperando? - perguntou a nova irmã de Jeitosinha.
- Sim. Você precisa lutar. Precisa superar esta doença. Vou estar ao seu lado.
- Oh, Bruno! Você vai me dar uma chance?
- O tempo dirá. Por enquanto, prometo-lhe apenas minha atenção e minha amizade.
- Você não sabe como este simples fio de esperança me deixa feliz! - disse a moça, já com uma certa luz no rosto pálido e febril.

Na manhã seguinte, Arlindo acordou no mesmo sofá onde bebera com Jeitosinha. Entretanto estava cercado por policiais e algemado. No comando da operação, a detetive Vanessa dirigiu-se a ele, exibindo no semblante a realização pelo dever cumprido.
- Você está preso.
- M-mas... Eu não fiz nada! - espantou-se o rapaz. - Qual a acusação?
- Assassinato!
- Não! - o grito de Arlindo ecoou pela sala...

Quem morreu desta vez?


N.A. - There never was a woman like Gilda: