domingo, 31 de janeiro de 2010

finding nemo

Está aberta a temporada de pesca nos túneis de São Paulo. O gari Renato Gouveia encontrou, morta, uma tilápia de 1,5kg dentro do Túnel do Tribunal de Justiça, um dia após o mesmo ter ficado alagado por quase 40 horas em decorrência das chuvas que assolaram a capital neste mês de janeiro. Provavelmente oriundo do lago do Ibirapuera, o ciclídeo teve o seu sonho de liberdade interrompido pela falta de oxigênio causada pelo encontro das águas pluviais com os esgotos do Itaim-Bibi. Rumava à Marginal Pinheiros e ao rio do mesmo nome, começo da longa jornada que se desenharia à frente: alcançaria o Cebolão e entraria no Tietê, rumaria ao interior passando por cidades históricas, barragens e eclusas até chegar ao grande Paraná que, rumo ao sul, o levaria até o Prata e o Oceano. Por ser peixe de água doce, morreria ao chegar lá, mas ao menos teria vislumbrado as Cataratas. Um fim precoce para quem tinha todo o potencial de Nemo.

rich faces

Como se não bastasse a cafonice genética de Caras, eles sempre conseguem se superar. Agora, quem compra - e, acredite, tem muita gente que compra! - um exemplar da revista ganha uma ma-ra-vi-lho-sa peça do mais puro VIDRO (!) para colecionar. São taças, copos, garrafas e até um decanter que, como charme, possuem uma coroa gravada em tinta dourada que deve, literalmente, ir por água abaixo à primeira lavada. A coleção, que promete "dar um toque de realeza à sua casa" tem como garota-propaganda ninguém menos que a herdeira dos Orléans e Bragança. Descendente de duas das casas reais mais famosas da Europa, a princesa aparece "montada" em um figurino digno das melhores novelas de época. É de chorar de rir. E de fazer os ancestrais se revirarem em seus túmulos!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

do i need it?

E a Apple finalmente lançou o seu tablet. Procurando ocupar o vácuo existente entre os smartphones e os laptops, a empresa anunciou a chegada da sua nova vedete: o iPad.
Após meses de espera e uma empolgação exacerbada de especialistas e viciados em tecnologia, o próprio Steve Jobs encarregou-se da apresentação do produto com uma palestra em Cupertino, CA na última quarta-feira. Mais magro do que o próprio Jobs - 1,5cm de espessura - e tela multitouch de 9,7", o novo produto não impressionou como deveria. Parece mais um iPhone gigante. Falta uma câmera integrada, portas USB e gerenciador de arquivos. A tela não é widescreen e o sistema - iPhone OS e não Mac OS - é muito limitado. É bonito, sim, mas pelo visto não cumprirá o seu propósito de ocupar o lugar dos famigerados netbooks, os laptops lentos e de baixo custo tão criticados.
Resta-nos esperar para ver se, por US$499, ele fará sucesso ou cairá no esquecimento como o Mac G4 Cube e o MacBook Air.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

happy birthday

Hoje é aniversário de São Paulo. E, como não poderia deixar de ser, com chuva. Diga-se de passagem, não pára de chover há tantos dias que já perdi a conta. Nesse dia úmido e frio de verão, isso mesmo, VERÃO, afinal estamos em janeiro e habitamos ao sul do Equador, resolvi ressuscitar mais uma vez o blog.
E começo com uma singela homenagem a essa velha senhora que nos acolhe, nos dá casa, comida e roupa lavada e, claro, cobra seu preço. Sou apenas um entre os seus 20 milhões de filhos, naturais e adotados, que, neste momento diz, simplesmente, parabéns e obrigado.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

a seat by the window, please!

Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião. A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem. Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.

Cresci, me formei, comecei a trabalhar. Desde o início, viajar era um desejo constante. Conhecer outras cidades, outros países, lugares diferentes sempre me fascinaram. No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.

O tempo foi passando e podia ficar ausente do tabalho apenas por poucos dias, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi um pouco do encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido. As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair, sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.

Em uma viagem recente, por um desses maravilhosos acasos do destino, estava eu louco para voltar a São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar o mais rápido possível para não pegar o horário de pico e o trânsito infernal da 23 de maio. O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui correndo para o portão. Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.

E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez em que voara. Senti novamente, e estranhamente, aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu. Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada voo em que desprezava aquela vista. Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, dos meus relacionamentos, do meu trabalho e convívio pessoal?

Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida. Ela também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos. Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar uma das belezas que viagem nos oferece.

Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas no corredor para embarcar e desembarcar rápido e ganhar tempo, pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar. A aeronave da nossa existência voa célere e a duração do voo não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.

Afinal, a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.