sexta-feira, 13 de março de 2009

Capítulo VII - A Vingança


Não foi difícil para Jeitosinha convencer Adenair a juntar-se a ela no seu plano de vingança. Ele sabia que o pai, violento e castrador, jamais o deixaria sair do armário. Com Ambrósio morto, um novo horizonte, muito mais colorido, se desenhava à sua frente.
- Ai, Jeitosinha, já pensou? Vou poder comprar um Ka dourado, colocar piercings nos mamilos, fazer backing vocals no show do Edson Cordeiro!
Adenair só não estava muito certo sobre a morte da mãe. Marilena sempre fora uma mulher zelosa com seus filhos, e muito carinhosa com todos os sete.
- Você acha que o erro de mamãe foi assim tão grave? -perguntou.
- Se eu acho? - indignou-se Jeitosinha.
- Minha vida foi uma farsa!
- Mas sempre é tempo de recomeçar! Você pode fazer uma operação de mudança de sexo.
- Não é tão simples, Adenair. Eu gosto de mim como sou! O problema é que o mundo não está preparado para aceitar pessoas diferentes.
- Puxa... O mundo aceitou o Michael Jackson! - insistindo Adenair.
Mas Jeitosinha estava decidida.
- A vingança vai começar. Papai será a primeira vítima.
- Qual é o seu plano?
- Amanhã é sábado. Neste dia, à noite, todos os nossos irmãos saem para se divertir. Mamãe tem a novena na casa de Dona Nair e papai e eu, nós dois costumamos ficar sozinhos em casa.
Adenair ouvia com atenção o plano traçado por Jeitosinha na noite anterior.
- Papai terá uma morte violenta, sangrenta. Algo tão hediondo que ninguém suspeitará que o crime possa ter sido praticado por uma pessoa como eu, uma jovem loira, maravilhosa e frágil...
- E como eu poderei ajudar? Perguntou Adenair.
Jeitosinha esboçou um sorriso estranho e respondeu, num tom seco:
- Me arranje uma serra elétrica!

Terá nossa protagonista o sangue frio para concretizar seu plano macabro?

quinta-feira, 12 de março de 2009

Capítulo VI - O Plano Macabro de Jeitosinha


Dos seis irmãos, só o mais velho não se dava bem com Jeitosinha. Todos os outros nutriam um enorme carinho pela caçula. Adenair, o sexto filho, um ano mais velho que ela, era o grande amigo e confidente da moça.
- O que foi, Jeitosinha? Você parece distante... - perguntou o irmão, durante o café da manhã.
Jeitosinha percorreu a cozinha com os olhos e certificou-se de que os dois estavam sozinhos.
- Maninho, você saberia guardar um segredo muito importante?
O moço gelou por dentro. Embora Jeitosinha não suspeitasse, Adenair também guardava um mistério. Ele balançou a cabeça positivamente, respondendo à pergunta.
- Então, vem comigo...
A loira puxou o irmão pela mão até o seu quarto. Trancou a porta e desabotoou a calça jeans.
- O que é isso? O que você está fazendo, Jeitosinha?
Sem dizer uma palavra, Jeitosinha exibiu seu membro masculino a Adenair.
- Não! Não pode ser! Me diz que isso é de borracha! - reagiu o rapaz.
- É o que você está vendo, irmão... Eu sou homem!
- Não, Jeitosinha, isso aí não quer dizer muita coisa. - o olhar de Adenair era estranho.
- Eu também tenho um e... e... - Jeitosinha entendeu na hora.
Então não era por acaso que Adenair comprava todos os discos da Celine Dion e anotava as dicas da Ana Maria Braga.
- Adenair, você é gay?
- Sim! Minha condição é muito pior do que a sua! - confessou o irmão, entre soluços.
- Você pelo menos pode usar aquele vestidinho pink ma-ra-vi-lho-so que ganhou no Natal.
Jeitosinha abraçou Adenair e enxugou suas lágrimas com os dedos.
- Adenair, só me tira uma dúvida...
- É, fui eu sim! - emendou o rapaz.
- Sua Barbie está no fundo da minha gaveta de meias. - e agarrou-se a Jeitosinha com uma enorme sensação de alívio.

Juntar-se-á Adenair à irmã no seu plano de vingança?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Capítulo V - A Reação de Bruno


Desilusão, medo, vergonha. Sentimentos variados dominavam a cabeça de Bruno quando Jeitosinha lhe expôs sua triste verdade. Sentia que ainda a amava e até compreendia que ela era a grande vítima desta trapaça do destino. Mas o amor estava isolado por um intransponível muro de aversão.
- Não podemos continuar juntos, meu amor! Eu sou hétero!
- Mas Bruno... Eu continuo sendo a mesma!
- A mesma? Com aquela coisa enorme, que parece um celular tijolão daqueles antigos? Não, Jeitosinha, lamento, mas está tudo acabado entre nós!
"O que somos nós senão vermes rastejantes num enorme teatro do absurdo?" - pensou a loira, tomada pelo desânimo.
Jeitosinha voltou para casa com passos lentos, como se carregasse o mundo nas costas. Ao entrar em casa deparou-se com Ambrósio.
- Onde você estava, tesouro? Papai já lhe disse que uma mocinha frágil não pode ficar zanzando por aí sozinha!
Embora fosse um homem rude e violento, Ambrósio era sempre doce e atencioso com Jeitosinha. Por isso mesmo a filha, até então, o adorava. Mas agora, sabendo que vivia uma farsa, e que a origem de todo o seu sofrimento era o medo imposto a Marilena por aquele homem, sentia asco só de olhar para o seu rosto nauseabundo.
Vingança! Era tudo o que Jeitosinha queria naquele momento! A vingança penetrou cada pequena artéria de seu coração, antes ocupado pelo amor que sentia por Bruno. Controlando o tom de voz e forçando um sorriso, Jeitosinha respondeu ao pai:
- Estava estudando com umas amigas. Estou com muita dor-de-cabeça e vou me deitar, papai.
A moça trancou-se no quarto e tirou da bolsa uma revista pornográfica, que acabara de comprar numa banca próxima à casa de Bruno.
- Então são assim os homens e mulheres! - disse baixinho para si, enquanto folheava a publicação.
Completamente nua, viu no espelho que era uma mulher perfeita. Comparou seu pênis com o dos atores pornôs da revista. Eram muito parecidos, embora o de Jeitosinha fosse maior. Tocou-se como nunca havia se tocado. Deixou-se dominar pela libido, livre da repressão imposta pelo pai.
Ao se deitar para dormir, Jeitosinha estava muito triste, mas não havia perdido a razão de viver. Ela sabia que tinha uma missão: destruir Ambrósio, Marilena e Bruno.

Qual será o plano macabro de Jeitosinha?

terça-feira, 10 de março de 2009

Capítulo IV - A Reação de Jeitosinha


O mundo desabou diante dos olhos de Jeitosinha. Tudo o que ela pensava ser, todos os seus sonhos de menina e a possibilidade de um orgasmo múltiplo eram subitamente arrancados para sempre de sua vida! E o que ela diria a Bruno, seu amado, um rapaz de boa índole que trabalhava como caixa no Banco do Brasil?
- Nunca vou te perdoar! Porque, mamãe? Porque você fez isso comigo? - saltava de seus olhos cor de esmeralda a revolta, como ondas de fogo.
- Calma, querida! Ainda posso desfazer meu erro! A gente conta tudo pro seu pai, eu compro pra você umas cuecas, você corta este cabelo, aprende a cuspir e coçar o saco... Enfim, você recomeça sua vida!
- Mas você não entende, mãe? Eu me sinto mulher!!!
- Tá vendo como tudo tem um lado positivo? Você é um traveco e mamãe aceita!
As justificativas de Marilena não estavam ajudando muito. Desesperada, Jeitosinha saiu de casa e vagou durante horas pelas ruas da cidade. Acabou concluindo que o melhor a fazer era procurar Bruno e dividir com ele sua angústia. "Se ele realmente me ama, vai me aceitar como eu sou," pensou.
O rapaz surpreendeu-se ao abrir a porta e encontrar sua amada. Pela rigidez moral de sua criação, Jeitosinha jamais iria até o apartamento de um rapaz solteiro.
- Você aqui, querida?
A moça entrou muda e sentou-se no sofá. Bruno toca seu rosto.
- Você está estranha. É porque não te liguei? Desculpe, mas perdi meu telefone celular!
- Não é isso, Bruno - sussurra Jeitosinha.
Encarando o amado fixamente ela pede, com a voz trêmula:
- Me beija! Me beija como se fosse nosso último beijo de amor!
Ondas de calor percorrem os corpos dos dois jovens. Bruno começa a explorar o corpo da amada com as mãos, numa liberdade que nunca experimentara antes.
- Tenho algo importante a lhe dizer, Bruno - diz a bela loira, no exato momento em que os dedos do rapaz percebem um inesperado volume entre as pernas de Jeitosinha.
- Já sei, amor - responde Bruno, abrindo um sorriso.
- Já sabe? - surpreende-se a moça.
Bruno aperta levemente o pênis da loira.
- Claro, querida! Estou sentindo. Voce achou meu celular!

Aceitará Bruno a bela Jeitosinha?

segunda-feira, 9 de março de 2009

Capítulo III - A Revelação


Só a voz de taquara rachada e a sandália número 41 davam indícios do segredo que envolvia a natureza de Jeitosinha. Mas o que todos viam era uma loira de 1,70m, cabelos sedosos até a cintura, cativantes olhos verdes, cintura fina, coxas grossas e bem torneadas, seios pequenos e uma bunda perfeita.
- Como ela consegue não ter nenhuma celulite? Parece bunda de homem! - alfinetavam as amigas.
Era sobre a beleza e a feminilidade da filha que Marilena pensava quando a chamou para uma conversa definitiva.
- Querida, tenho algo muito importante a lhe revelar.
- O que foi, mamy? - perguntou Jeitosinha, apreensiva, lendo a angústia nos olhos da pobre senhora.
Marilena respirou fundo e foi diretamente ao ponto central do problema, como se tentasse extirpar com um único golpe o câncer moral que atormentava sua existência:
- Você não é uma mulher.
- Claro que não mamãe!
- Você já sabia, Jeitosinha? - surpreendeu-se Marilena.
- Claro, tenho minhas amigas na escola. Embora você nunca tenha me falado sobre essas coisas, eu sei que não sou mulher.
Marilena respirou aliviada.
- Então você já sabia que...
- Sim, mamãe. Eu ainda sou uma donzela.
Por um instante Marilena deixou-se abater pelo desânimo. Pensou em sumir, dar cabo da própria vida, qualquer coisa que a livrasse da enorme decepção que teria que causar à filha. Mas Jeitosinha era uma garota doce e compreensiva. E mesmo sendo loira, devia ter, mesmo que instintivamente, a percepção de que não era uma moça como as outras.
- Querida... - perguntou Marilena - Você nunca notou nada de estranho no seu corpo?
- Bem, mamãe... - respondeu Jeitosinha, encabulada - Eu nunca entendi muito bem porque eu sinto uma dor horrível entre as pernas quando uso uma calcinha apertada ou tomo uma bolada no vôlei...
- O que mais, minha filha?
- Hmmm... Nas aulas de Educação Sexual eu tenho uma certa dificuldade em entender por onde é que os homens depositam na gente as tais sementinhas...
Era a oportunidade que Marilena esperava para contar à menina toda a verdade.

Como reagirá Jeitosinha à constatação de que é espada?